segunda-feira, 8 de março de 2010

O que vivenciei na Casa do Julgamento




O que vivenciei na casa do julgamento

Na primeira cena vi o retrato da minha família quando ainda era solteira e morava com meus pais. Um pai grosso e ignorante, uma mãe protetora, um irmão revoltado e uma filha que dizia: Quando isso vai acabar? Porque tem que ser assim? Apesar de eu ter apanhado do meu pai fisicamente 1 ou 2 vezes em toda minha vida, seus recados imorais que abalavam minha alma tiravam-me do meu ponto de equilíbrio, não precisava nem de um tapa, mas cada palavra caluniadora e recriminadora era uma surra na minha alma e o bastante para eu me isolar no quarto e chorar ou sair sem rumo ao encontro de algum amigo ou amiga que me tratasse melhor do que ele. “E Deus limpará de seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas.” (Ap 21.4)
Na segunda cena, me coloquei no lugar da Rute, quantas vezes eu fui Rute... mas quantas vezes eu deixei de ser, perdi oportunidades, deixei a timidez falar mais alto, deve ser por isso que a bíblia fala que os tímidos não herdarão o reino (Ap 21.8), por que eles perdem boas oportunidades de falar de Jesus para o que sofre. “Meus irmãos, que aproveita se alguém disser que tem fé, e não tiver as obras? Porventura a fé pode salvá-lo?” (Tg 2.14)
Na terceira cena, lembrei-me de todos os que estão na loucura dessa vida, pessoas que foram minhas amigas no passado, ou até aquela que “ganhei” pra Jesus, mas que desistiu do caminho a imagem daquela atriz era justamente a vida dela, pura promiscuidade e leviandade. Lembrei-me dos bares perto da casa dos meus pais que vivem cheios de jovens e como que eles forçam irresponsavelmente para ser felizes “batendo cabeça” em atitudes insanas. “Mas Deus lhe disse: Louco! esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será?” (Lc 12.20)
Na quarta cena foi chocante, muita dor, desespero e uma imensa compaixão por tudo ter acabado daquele jeito, pensei na quantidade de pais que aparecem na televisão dando entrevistas tão machucados por terem perdido seus filhos na sua juventude, mas como Cristã penso que o pior não é nem perdê-lo pra sempre, mas perdê-lo pro inferno. “Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela.” (Mt 7.13)
E por falar em inferno e céu a quinta cena me deixou de pernas bambas, era o julgamento e fiquei pensando: Deus, hoje eu não tenho certeza se irei pro seu lado direito ou esquerdo. Quando o ator foi mencionando os nomes pensei também que dessa hora em diante não tem como voltar atrás, valerá tudo o que fiz na minha vida. E foi justamente o que o ator principal, caracterizando Jesus, disse e justamente o que está na Palavra de Deus. O som dele fechando “o livro da vida” nunca sairá da minha mente. Ainda não havia chegado a minha vez. “... de maneira nenhuma riscarei o seu nome do livro da vida; e confessarei o seu nome diante de meu Pai e diante dos seus anjos.” (Ap 3.5)
Na sexta cena o meu coração estava muito acelerado e minhas pernas tremendo. Naquela hora eu nem me importava mais em ficar juntinho do meu marido até porque tudo aquilo que vou passar será individualmente, ou seja, não pretendo passar pela sexta cena na minha vida espiritual. Assim seja oh Deus! Apesar de eu já ter visto aquela equipe fazendo aqueles trabalhos e até eu já encenei a figura do diabo, as frases que eles diziam condiziam com muitas coisas que eu e pessoas conhecidas estávamos vivenciando, mas jamais eu esperaria que um jovem que foi sentenciado ao inferno naquela cena, gritaria meu nome lá do fundo em desespero: Karlaaaa fala com meu pai! Chorei copiosamente nesta hora, pois eu conheço o pai daquele jovem na vida real e sei que ele não optou por Cristo ainda. Ah! Como eu chorei. Meu espírito se incomodou! Meu diafragma pulava sem parar. Em pensar que eu fico cultivando meu mundinho melancólico enquanto muitos são sentenciados ao inferno. Até quando serei assim? Espero que eu não demore. Ninguém merece, eu digo tanto este bordão, pois é, ninguém merece o inferno. “E disse ele: Rogo-te, pois, ó pai, que o mandes à casa de meu pai”. (Lc 16.27)
Ao descer as escadas eu tentava parar de chorar logo, porque aparentemente só eu estava daquele jeito e uma coisa é você chorar quando está todo mundo chorando outra coisa é você chorar sozinha no meio do povo (olha eu de novo entrando no mundinho que falei anteriormente.) Então engoli o choro, e tentei secar as lágrimas, mas meu diafragma continuava pulando, quando fiquei esperando minha roupa branca pensei: Será que não terei um refrigério? Eu não tenho como sair daqui assim, preciso acariciar a minha alma e espírito. Foi quando entramos na última cena, com uma sala simulando o céu, o clima era de paz, havia anjos e o Coral dizendo que o Cordeiro de Deus é Santo e digno de louvor. Oh como eu concordo com isso. Ao passar pela ponte e abraçar o ator que encenava Jesus despejei sobre ele toda a dor que senti e fechei meus olhos, inspirei bem profundamente, após fazer isso senti um perfume maravilhoso e diferente, ao expirar percebi que aquele perfume tinha me trazido algo de bom porque eu estava em paz. “E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos sentimentos em Cristo Jesus.” (Fp 4.7)
Ao sair dali senti uma vontade enorme de ser abraçada de novo, não tinha nada haver com meu mundinho melancólico, mas eu precisava continuar o que havia começado. Ao abraçar meu amigo eu chorei copiosamente, um choro de dor, de sofrimento, de lástima pelos que sofrem mais que eu às vezes sem que eles percebam. Chorei por meu mundinho. Chorei por querer ser diferente, por querer ajuda. Foi aí que Deus falou comigo o que eu já sabia. Eu tinha quebrado barreiras para estar ali, não seria fácil aquela casa. Agora só depende de mim as próximas cenas que virão até que Jesus queira que eu me retire e reviva na realidade alguma cena da casa do julgamento. “E Jesus lhe disse: Ninguém, que lança mão do arado e olha para trás, é apto para o reino de Deus.” (Lc 9.22)
Algo dentro de mim mudou, estou impactada, estou reconstruindo, estou voltando.

Karla A. C. Soares

“Quem vencer, herdará todas as coisas; e eu serei seu Deus, e ele será meu filho.”
(Ap 21.7)



Caso na sua cidade ou até mesmo sua igreja fizer o teatro interativo Casa do Julgamento, participe!!

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